27 de mai de 2009

NARRATIVA DA COLLAGE
Neide Costa Brandão

Há sempre um início para tudo. E uma finalidade, uma finitude.
Cada ato é começo e fim, intenção e tentação, insatisfação e desafio, movimento e repetição.
O encontro não é o início, mas um ato. Tão rico de possibilidades que, sozinho, é uma caixa de pandora. Aberta, o inusitado, o drama, a comédia, a leveza, o arrebatamento, enfim.... Tudo pede para acontecer e acontece, ainda que nós, fazedores, não tenhamos planejado nada.
Os encontros se fazem a nossa revelia : isso é o apaixonante.
A narrativa da collage é a narrativa da nossa vida.
Nossas collages narram um momento do nosso sentir, e como nos revelamos (ou nos ocultamos).
A collage poderia ser traduzida em narrativa literária, desde o momento do desejo da procura pelas imagens ou objetos, abrindo capítulos acerca das escolhas, dos refugos e das sobras, esses pés-de-página que explicam a seleção .E aí vamos nos entregando em imagens rasgadas, recortadas, amassadas,picadas,furadas,e o olho caça a união perfeita,o significado mais exato,a exaltação da dúvida,o esconder,o revelar.
Sempre queremos contar uma estória,e precisamos de ouvintes que ouçam e compreendam.É como nós, humanos, encontramos o outro. Através do relato.
Surpreende-me a collage quanto mais eu a experimento.Os caminhos são tantos e tão ricos de possibilidades quanto são os dias.

Outubro de 2007.

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